ONGs ciganas saem em defesa de mãe que teve criança retirada à força em SP

Quinze integrantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) de defesa de direitos da comunidade cigana se posicionaram em frente ao Fórum de Jundiaí na tarde desta quinta-feira (18) para acompanhar a audiência de conciliação que trata da menina de um ano e dois meses arrancada dos braços da mãe por uma integrante da Guarda Civil Municipal na segunda-feira (15). A Polícia Militar mantém uma base comunitária e um carro no local. A audiência teve início às 16h. A cigana reencontrou a filha na manhã desta quinta.

De acordo com a acusação que deu origem ao procedimento investigatório e à ordem judicial para apreensão da criança, a mãe usava o bebê para sensibilizar a população da cidade a entregar esmolas em uma rua do centro de Jundiaí. A mãe, de origem cigana, afirma que ganha dinheiro apenas com a leitura de mãos e nega que tenha explorado a criança. O bebê foi levado para uma creche. Márcia Yáskara Guelpa, da Associação de Preservação da Cultura Cigana (Apreci), disse ao G1 que a comunidade cigana entendeu que a apreensão da criança não levou em consideração a cultura da comunidade. “Ela não estava mendingando. Toda mãe cigana anda com o filho colado ao corpo. Me sinto totalmente insultada e perplexa. Vamos até o fim. Queremos saber o porquê disso”, afirmou. Azimar Olon, do Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana, disse que as lideranças estão dispostas a dormir na praça em frente ao fórum até que a criança seja liberada. “Já estamos acostumados. Para nós não será nenhum esforço”, afirmou.

O advogado Frederico de Pieri, contratado para defender a família no processo investigatório instaurado pela Justiça, afirmou que vai requerer ao juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí a liberação da criança, sob o argumento de que ela é bem tratada pela mãe e que tem residência fixa em Campinas, também no interior de São Paulo. Em nota, a Prefeitura de Jundiaí disse que a Guarda Municipal “lamenta profundamente o ocorrido”. “Não cabe à Guarda Municipal discutir e sim obedecer as razões que determinaram a decisão do Juiz da Vara da Infância e Juventude, dr. Jefferson Barbin Torelli. A ação foi realizada no estrito cumprimento de mandado judiciário, que não pode ser desobedecido.”

Fonte: http://g1.globo.com/

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Published in: on março 26, 2010 at 7:25 am  Deixe um comentário  

Ciganos mantêm tradições no Jd. Silvina

Do Diário do Grande ABC

Um grupo de ciganos vive há oito anos em um acampamento montado às margens da Via Anchieta, no Jardim Silvina, em São Bernardo. Enquanto tentam manter as tradições milenares do povo, eles se adaptam à vida moderna. As tendas, cobertas por lona colorida, abrigam tecidos artesanais e eletrodomésticos novos. As crianças frequentam a escola do bairro, e quase todos os adultos já tiraram seus documentos. Festivo e receptivo, o grupo costuma passar o fim de semana comendo churrasco e ouvindo forró no som do carro.

O Diário visitou o acampamento cigano dia 20, domingo, durante a festa de casamento de Mauro Soares Ferreira e Chiara Bolsanello, ambos de 18 anos. As mulheres usavam vestidos coloridos feitos sob medida por ciganas de outros acampamentos, colares e pingentes. A comemoração só não foi mais alegre porque a comunidade ainda está de luto pela morte do seu líder, Donizete Soares, 58, conhecido como Oripe, há dois meses.

Seguindo a tradição, os integrantes do clã queimaram a tenda onde Oripe vivia, com suas roupas e objetos pessoais dentro. “Os bombeiros chegaram a vir aqui pensando que era incêndio”, conta Júlio Soares, 37, genro de Donizete e cotado para ser o novo líder do grupo. Porém, os agentes não apagaram o fogo, em respeito ao costume.

Otelina Mendes, 60, casada com Oripe desde os 10 anos, ficará de luto para sempre: cortou os cabelos e não usará mais roupas coloridas. “Perdi meu velho, minha tenda… tudo”, lamenta Otelina.

Comerciantes – A matriarca do grupo passou a morar na casa da filha Vanusa Mendes, 25, e do genro Flávio Mendes, 27, que trabalha, como a maioria dos ciganos, vendendo de tudo um pouco.

“As mulheres leem mão e os homens fazem negócio: de carro, celular, tecido. Não faz parte da tradição cigana ter patrão”, explica Flávio. Os ciganos de São Bernardo são da etnia calon, originária do Egito – outro grupo é chamado ron. Mesmo que não se conheçam, eles se identificam por meio de um sinal que fazem com tinta verde no rosto e nos braços e pelo dialeto.

“Nós falamos o chibi de calon, que ensinamos de pai para filho e só é entendido por cigano. Serve para quando vamos negociar alguma coisa”, afirma Flávio.

Outra fonte de renda dos calon é o aluguel de casas. Otelina tem um imóvel em Itapetininga, no Sudoeste do Estado, onde o grupo já morou. Os calon do Jardim Silvina têm parentes em Assis e Sorocaba, no Interior, e no Itaim Paulista, Zona Leste da Capital.

O grupo foi parar em São Bernardo por insistência do líder Oripe. “Aqui é bom para ganhar dinheiro”, diz Flávio. A permanência da comunidade foi acordada com o dono do terreno.

Casal de noivos foge à regra e se conhece pela internet
Diz a tradição cigana que os casamentos devem ser combinados enquanto os futuros noivos ainda são bebês. “Tentamos fazer com que as crianças se agradem, que se gostem desde pequenas”, diz Júlio Soares, 37 anos, um dos integrantes do clã.

Mas nem sempre isso é possível. Um dos filhos de Júlio, por exemplo, Mauro Soares Ferreira, 18, não quis passar o resto da vida com a mulher que era prometida a ele e conheceu a cigana com quem se casou no dia 20 pela internet.

“Casar sem amor não adianta”, ensina o pai. “Não sou eu nem minha mulher que vai viver com ela (a noiva). É meu filho”, conclui. A prometida, filha de um cunhado de Júlio, não mora no acampamento de São Bernardo.

Após descobrirem que Mauro conhecera a noiva pela internet, Júlio e sua mulher, Joana Soares Ferreira, 33, foram buscar a futura nora em um clã cigano na cidade de Medeiros Neto (BA). Eles enfrentaram uma viagem de dois dias para ir e mais dois para voltar dentro de um ônibus.

Mauro e Chiara Bolsanello, 18, se casaram domingo passado com as bênçãos das duas famílias. “Vamos ficar aqui por um mês e depois vamos para a cidade dela passar um tempo”, disse Mauro após a cerimônia.

Casamentos e batizados são celebrados por padre católico
Embora não exista uma religião oficial para todos os ciganos, muitos deles seguem o catolicismo. Os calon que vivem em São Bernardo, por exemplo, batizam seus filhos e casam dentro dos fundamentos da igreja católica.

Para celebrar os sacramentos, nos últimos anos eles contam com o padre Jorge André Pierozan, conhecido como Padre Rocha. O apelido tem pelo menos duas versões. “Deram-me esse nome quando eu jogava futebol, por causa de um atleta da época”, diz o padre. “Ele é Rocha porque não deixa os calon na mão. É forte e sempre nos ajuda”, opina Júlio Soares, um dos ciganos do acampamento.

Integrante da Pastoral dos Nômades, Padre Rocha se desdobra para conciliar a agenda de sacerdote da Paróquia Santíssima Trindade, no Butantã, Zona Oeste da Capital, e os compromissos nos acampamentos ciganos.

“Quem mora em tenda tem a fé mais forte do que quem mora em palácio. Aqui, eles não têm paredes para se proteger, eles jogam na mão de Deus”, afirma.

A ligação do pároco com os ciganos vem da infância, quando foi vizinho de um acampamento e trapezista de circo. “Um dia ainda me aposento e vou morar na tenda também.”

Published in: on março 9, 2010 at 10:37 pm  Comments (2)  

Pastoral dos Ciganos – Portugal

Pastoral dos Ciganos na Europa quer combater discriminações

Responsáveis nacionais estão reunidos no Vaticano até Quinta-feira

O Vaticano acolhe desde esta Terça-feira o Encontro dos Directores Nacionais da Pastoral dos Ciganos na Europa. A iniciativa, que se prolongará por três dias, foi inaugurada pelo presidente e secretário do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, respectivamente D. Antonio Maria Vegliò e D. Agostino Marchetto.

O evento, que conta com a participação do director da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Fr. Francisco Sales, é dedicado ao tema “Solicitude da Igreja para com os ciganos na Europa: situação e perspectivas”.

Na intervenção de abertura, D. Antonio Vegliò sublinhou que os organismos eclesiais são chamados a “denunciar as injustiças e as desigualdades indignas, a fim de que a vida do homem se torne mais humana”. O prelado apelou a “um exame de consciência” sobre a “fidelidade à vocação e missão na Igreja”, que é de todos “e particularmente dos pobres”.

O arcebispo observou que a história dos ciganos é “tristemente marcada por rejeições e perseguições”, admitindo que nesse percurso “a Igreja teve as suas culpas, directas ou indirectas, quer com condenações abertas, quer com silêncios por vezes interpretados como conivências”.

D. Antonio Vegliò destacou, por outro lado, os “exemplos luminosos de cristãos” que marcaram o caminho de reconciliação da Igreja em relação aos ciganos.

Referindo-se ao encontro que termina nesta Quinta-feira, o presidente do Conselho Pontifício manifestou a esperança de que seja permitido aos ciganos participar mais “da vida e da riqueza da Igreja”.

O prelado mencionou igualmente a situação dos ciganos na sociedade, que é influenciada por “preconceitos e estereótipos de tal modo radicados (…) que não permitem o desenvolvimento e amadurecimento de atitudes de abertura, acolhimento, solidariedade e respeito”. Continuam a observar-se fenómenos de racismo e de aversão aos ciganos que, “muitas vezes, são um obstáculo à convivência pacífica, humana e democrática”, acrescentou.

Não se devem esquecer também as “responsabilidades e atitudes negativas dos próprios ciganos em relação aos ambientes em que vivem”, referiu D. Antonio Vegliò. Por isso é necessário que estas comunidades assumam “os deveres próprios de todos os cidadãos do país onde se encontram”. O prelado formulou votos de que seja percorrido o caminho da “reconciliação” e da “busca de compreensão”.

O presidente do Conselho Pontifício regozijou-se com alguns sinais de esperança, como a atenção que alguns organismos europeus têm dedicado aos ciganos.

Estas transformações – afirmou D. Antonio Vegliò – “contribuirão para inibir fenómenos e actos de racismo”, criando uma “nova consciência europeia” que permita aos ciganos “reafirmar a sua identidade e diversidade cultural na perspectiva de uma inserção civil nos respectivos países”.

Com Rádio Vaticano

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/

Published in: on março 4, 2010 at 11:09 am  Deixe um comentário