Um dia…

“Um dia eles vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Não sou judeu, não me incomodei.
No outro dia, levaram meu vizinho que era comunista. Não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia, levaram meu vizinho que era católico. Não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia… vieram e me levaram. Não havia mais ninguém a quem reclamar…”


Martin Niemöller, 1933, Austria.

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Published in: on janeiro 31, 2010 at 8:18 pm  Deixe um comentário  

Sobreviventes de Auschwitz relembram vítimas do Holocausto

Há 65 anos, tropas do Exército Vermelho libertavam o campo de concentração do domínio nazista na Polônia

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Netanyahu discursa em campo de concentração

BIRKENAU – Sobreviventes de Auschwitz, veteranos do Exército soviético e líderes políticos como o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reuniram nesta quarta-feira, 27, para o 65º aniversário da liberação dos prisioneiros deste campo de concentração nazista no sul da Polônia.Os atos começaram com o som das sirenes no local do campo de Auschwitz-Birkenau e com uma mensagem em vídeo do presidente dos EUA, Barack Obama, enviada a um fórum organizado pelo Congresso Judeu Europeu a poucos quilômetros dali.”As atuais gerações devem resistir ao antissemitismo e à ignorância em todas as suas formas e têm o dever de relembrar a crueldade que imperou neste lugar”, disse Obama.

“A tragédia do povo judeu consistiu em não ter sido capaz de identificar o perigo a ponto de se defender”, disse Netanyahu ao lado do presidente polonês, Lech Kaczynski.

Auschwitz foi liberado pelo Exército soviético no dia 27 de janeiro de 1945 e se converteu no maior símbolo do genocídio nazista. A data foi designada pela ONU em 2005 como o Dia Internacional de Comemoração às Vítimas do Holocausto..

Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram executadas no campo, sendo a esmagadora maioria de judeus. Auschwitz ficou especialmente conhecido pelas câmaras de gás e por sua equipe de médicos alemães que conduziam “experimentos” com os prisioneiros do campo.

Auschwitz foi criado em 1940, um ano depois da invasão da Polônia que desencadeou a Segunda Guerra Mundial, com o propósito inicial de internar presos políticos poloneses. O campo foi montado em um antigo quartel na cidade de Oswiecim, cujo nome em alemão é Auschwitz.

A partir de 1942, quando os nazistas expandiram o campo a Birkenau, a três quilômetros de distância, o local passou a servir como uma base de extermínio de judeus. Também morreram cerca de 75 mil poloneses não judeus, 21 mil ciganos, mil prisioneiros de guerra soviéticos e outras 15 mil pessoas, incluindo membros da resistência presos na Europa, segundo dados do Museu de Auschwitz-Birkenau.

Fonte: http://estadao.com.br

Published in: on janeiro 28, 2010 at 10:33 am  Deixe um comentário  

Dança Cigana

Escrever aqui me alivia muitas coisas… Eu percebo que existem no mundo problemas muito maiores que meus problemas pessoais. E por alguns minutos vou salvar o mundo por aí e sinto que quando todos se unem somos capazes de grandes coisas…

Acho relevante falar de um assunto que me deixou bem encafifada até eu entender.

Lembram dos clãs? Uma das diferenças entre eles é a dança. Alguns elementos diferem de um clã para outro, tornando as danças levemente diferentes, com nuances variadas mas com muito em comum. Mas como curso mesmo, um dia foi quase inexistente. Até que a Glória Perez resolveu escrever uma novela!

A autora se inspirou em uma família cigana de violinistas do leste europeu, a família Vacite, do clã Betchary. Ciganos viraram moda no Brasil! Ou melhor: as festas ciganas e a dança estilo Betchary viraram moda. A novela mesmo não teve grandes contribuições pra diminuir o preconceito. Muita gente chegou à “brilhante” conclusão de que os kalons são ciganos falsos, por causa das pequenas diferenças. Criou-se uma fantasia do que é o cigano. A dança cigana veio no embalo.

A maioria dos grupos de dança cigana no Brasil, hoje, dança algo parecido com a dança da novela. E muitos professores não conhecem de verdade ciganos, ou a cultura cigana. É como se a dança cigana fosse algo a parte do povo cigano. E isso não faz o menor sentido.

Existem exceções. Não tenho nada contra quem faz a dança da novela! Será que eu vou ter que grifar isso pra ninguém me atacar?? Eu faço curso de dança kalon (azar o meu, ora bolas… embora eu considere grande sorte). Meu professor tem o mínimo cuidado de conhecer ciganos de verdade e perguntar se está fazendo algo errado. Essa é a obrigação de qualquer um que se meta a ensinar sobre outra cultura que não a sua própria, seja dança do ventre, curso de leitura de baralho, borra de café, ou qualquer coisa.

Mas o que a dança cigana de verdade tem em comum em qualquer clã, se for feito um trabalho sério: nada de barriga de fora, nem pernas aparecendo (muito menos o útero, como eu quase já vi por aí…), e coreografias não tem nada a ver…

Taihka falou.

Published in: on janeiro 23, 2010 at 11:25 pm  Comments (2)  

Lendas Ciganas – O PIRATA E A CIGANA CARMELITA

Dizem que, por volta de 1200, na Espanha, todos os que não pertenciam ao Catolicismo eram perseguidos pela Igreja e tratados como ‘hereges’. Foi nesse cenário que um acampamento de ciganos foi dizimado, restando apenas uma mulher e seu filho pequeno. Na fuga, acabam chegando ao litoral de uma praia deserta e são recolhidos por piratas que ali acampavam. Ao embarcarem, a mulher falece, vítima de cólera, e a criança passa a ser criada pelos piratas. O menino tornou-se homem e, consequentemente, assimilou o modo do vida dos piratas. Muitas batalhas para garantir a sobrevivência, uma delas relatada em livros. Certa vez, desembarcaram na mesma praia em que o menino fora achado. A Igreja, então, trocava favores com os piratas e o rapaz pode livremente chegar à vila, onde conheceu inúmeras mulheres lindas.

Perto da vila, havia um acampamento cigano, que só entrava na vila em dia marcado, para apresentação de seus serviços artesanais, musicais e teatrais. O jovem pirata foi ao acampamento e contou sua história, sendo muito bem recebido por todos. Naquela semana, sempre que podia, o jovem ia ao acampamento, simplesmente para ver a bela cigana, de nome Carmelita. Pelas guloseimas que a moça lhe ofertava secretamente, o rapaz sabia que era correspondido, porém sabia que era um amor impossível. Quando chegou o momento do rapaz parir para novas aventuras no mar, implorou que Carmelita o seguisse. A jovem, desesperada de amor, queria partir com o pirata, porém sofria por pensar em abandonar a família, principalmente, por estar comprometida. A moça, então, solicitou um sinal aos céus.

No dia marcado para a fuga, Carmelita, ainda de madrugada, correu à praia. Levava um bolo feito com mel. Chegando próximo à praia, percebeu que nuvens escuras esconderam o brilho da lua, tornando-se difícil caminhar em terreno tão acidentado. Mesmo assim, a jovem continuou seus passos, até que prendeu o pé numa fenda de pedras e ali ficou, chorando desesperada, vendo o navio dos piratas partir. Já distante da praia, o pirata, que nascera cigano, também chorava, tentando enxergar algo no litoral, até que o brilho da lua retorna e o rapaz pode ver a bela jovem presa nas pedras. Sem raciocinar, o rapaz mergulha para salva-la, pois a maré enchia e logo cobriria todo o local onde estava presa a bela jovem. Nesse ínterim, aflitos, os pais de Carmelita procuravam pela jovem, até que a encontraram e a salvaram. Quase desfalecida, tremendo de frio, Carmelita ainda olha para trás e pode ver seu bolo boiando nas águas escuras.

Ao chegar ao local, o rapaz só encontra o lenço que cobria o bolo e, chorando muito, retorna ao navio, acreditando que a bela jovem morrera afogada. Por isso, nunca mais retornou àquela praia. Mas guardou o lenço até o dia de sua partida desse mundo. Carmelita casou, teve filhos, mas nunca se esqueceu do que vivera naquela praia. Por isso, até mesmo idosa, todos os anos ofertava um bolo ao mar, para pedir proteção para o homem cigano, que era pirata, e a quem amara ardentemente, e para celebrar a eternidade do amor, que permaneceu em seu coração.


Agradeço ao amigo Will Tom pela bela história.

Published in: on janeiro 21, 2010 at 9:27 pm  Comments (4)  

Embaixada Cigana do Brasil – Acampamento Cigano de Embu

Ação social no acampamento cigano de Embu. Entrega de presentes de Natal e cestas básicas de alimentos para as famílias.
Brincadeiras com as crianças, palestras culturais e sobre noções de higiêne e saúde.
Saiba mais sobre nosso trabalho acessando o site http://www.embaixadacigana.com.br

Published in: on janeiro 17, 2010 at 4:03 pm  Deixe um comentário  

Falta de informação fomenta discriminação contra comunidade Roma

A falta de conhecimento dos valores e do modo de vida da população cigana faz com que esta seja uma das minorias étnicas que mais sofre os efeitos da exclusão social.

O trauma histórico

Foram várias as perseguições contra os ciganos portugueses ao longo dos anos, nomeadamente:
– A expulsão para Espanha;
– O açoitamento em praça pública;
– A expatriação dos homens para as galés por períodos de três, seis ou dez anos ou para toda a vida;
– O estabelecimento da pena de morte;
– O embarque forçado das mulheres, homens e casais para o Brasil e para África;
– A proibição do uso da língua, do traje e das suas profissões tradicionais, como a feira;
– Apropriação legal dos seus bens e mercadorias.

Alguns chamam-lhes gypsies ou “zíngaros”, outros chamam-lhes Roma ou simplesmente ciganos. A origem desta minoria étnica não é consensual entre os investigadores. O senso comum acredita nas lendas que lhes são contadas sobre as raízes do povo cigano. No entanto, alguns membros da própria comunidade acreditam na teoria segundo a qual o seu berço foi a Índia de há três mil anos e de onde foram expulsos.

Normalmente vistos como possuidores de poderes psíquicos por causa do estereótipo do “cigano que prevê o futuro”, os Roms vivem hoje espalhados pelo mundo. Em Portugal, segundo a Pastoral dos Ciganos, existem 40 mil pessoas de etnia cigana. Um número contrariado por Victor Marques, presidente da União Romani Portuguesa (URP), que assegura que o número de ciganos no país ultrapassa os 80 mil.

Os recentes episódios de violência no Bairro da Quinta da Fonte, em Loures, entre indivíduos das comunidades cigana e africana, revelaram algo negado por muitas pessoas não-ciganas: ainda persistem vários preconceitos e estereótipos para com esta comunidade.

Uma tendência confirmada pelo Relatório da Comissão Europeia (CE), divulgado a 2 de Julho, sobre a exclusão social da etnia cigana. De acordo com o documento, existem “milhões de europeus ciganos alvo de discriminações a nível individual e institucional com vastas repercussões”.

“A simples palavra ‘ciganos’ tem uma conotação negativa”

As razões que explicam a discriminação para com a comunidade Roma podem oscilar entre o nomadismo que caracteriza esta minoria étnica e o desconhecimento da cultura cigana. Luís Pascoal, do Gabinete de Apoio às Comunidades Ciganas, considera que a ideia que as pessoas têm dos ciganos é “perfeitamente preconceituosa”. Para o responsável, o fenómeno da discriminação da população Roma está muito enraizado na cultura portuguesa, de tal modo que “a simples palavra ‘ciganos’ tem uma conotação negativa”.

Segundo André Correia, antropólogo do Centro de Estudos Territoriais (CET) do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), o facto de os ciganos estarem constantemente a mudar de região não é visto com bons olhos pela opinião pública que “teima em não ver qualidades de uma cultura diferente”.

Para o antropólogo, se por um lado os ciganos são um povo nómada, por causa da sua própria origem, por outro a legislação pré-25 de Abril “não permitia que a comunidade cigana estivesse mais do que 24 horas no mesmo local”, obrigando-a a estar em constante deslocação.

Victor Marques defende uma ideia diferente. Para o presidente da URP, não existem nómadas em Portugal. “O que acontece é que os ciganos em Portugal são, como sempre foram, um povo com extrema mobilidade, mas estão sedentarizados num determinado local”. A capacidade de uma família cigana de se ausentar alguns meses da sua casa em “busca de maior sucesso em feiras” é um dos exemplos que levam as pessoas a rotular os ciganos como “nómadas”.

“Atitudes que os ciganos têm são consequência do que lhes foi feito no passado”

Os estereótipos negativos que se criam em torno dos ciganos são, segundo André Correia, “consequência daquilo que lhes foi feito no passado”. “Aquilo que se passa nos dias de hoje precisa de um enquadramento, a maioria das pessoas não sabe o que se passou nestes 500 anos de relacionamento entre nós e os ciganos”, disse.

O presidente da URP critica o Estado português que “insiste em desconhecer que, historicamente é responsável pela produção de uma parte significativa da pobreza e da marginalidade desta minoria de portuguesa” ao ter permitido acções como o de extermínio, durante o tempo da Monarquia em Portugal.

Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/

Published in: on janeiro 17, 2010 at 10:01 am  Deixe um comentário  

Beja: PSP expulsa ciganos romenos e espanhóis do Parque de Campismo

<!– –> “A PSP, a pedido da Câmara de Beja, proprietária do Parque de Campismo da cidade, expulsou esta manhã daquele recinto 25 famílias, num total de 125 pessoas, por suposta violação das regras do equipamento. Todos os cidadãos estavam em “situação legal” no nosso país, explicou à agência lusa o comissário Nuno Poiares, da PSP de Beja.
Mas há questões que se colocam: se estavam legais porque é que foram expulsos? Quem é que decidiu a “suposta violação de regras do equipamento”? Se eram suspeitos de crimes porque é que não foram acusados? E outra: se saíram de Beja – diz a notícia da Lusa que já deixaram a cidade – para onde é que foram encaminhados? Ou, por serem ciganos, esquecem-se logo os mais elementares direitos, liberdades e garantias que todos devemos ter garantidos – ciganos ou não, estrangeiros ou não?”

Carlos Júlio, jornalista

À CICDR

Exmª Alta Comissária Drª Rosário Farmhouse

A notícia acima transcrita saiu no Blog “A Cinco Tons” e também foi referida no Jornal “Voz da Planície”, “RádioPax” e “Diário Digital”, segundo temos conhecimento.

No seguimento do comentário do Jornalista Carlos Júlio, perguntamos se este é o procedimento normal para quem supostamente causa distúrbios? Ou se é a continuação por outras formas da discriminação da comunidade cigana que o SOS Racismo denunciou já há dois anos, por parte da GNR do Distrito de Beja?

Mais uma vez se demonstra que a impunidade leva à continuação da discriminação… Não seria suposto terem que responder perante a Justiça caso sejam responsáveis por tudo o que é relatado?

Como são estrangeiros…não nos vamos preocupar… Já não se fez nada relativamente à inqualificável actuação da GNR de Beja, que aquando de festas de casamento e baptizado, para que fossem permitadas, obrigava (deixou de obrigar?) os elementos da Comunidade cigana a assinar um documento em como se responsabilizavam por tudo o que acontecesse e a não poderem entrar nos estabelecimentos (cafés, restaurantes) da vila ou aldeia.

O SOS Racismo gostava que se averiguasse o que realmente esteve na origem da expulsão.

Published in: on janeiro 14, 2010 at 11:12 pm  Deixe um comentário  

Kalons

Voltando aos clãs…

Imagens falam mais que palavras:

Published in: on janeiro 8, 2010 at 10:17 pm  Deixe um comentário  

Tribunal Europeu condena Bósnia por discriminar judeus e ciganos

(AFP) – 22 de Dez de 2009

ESTRASBURGO, França — O Tribunal Europeu de Direitos Humanos condenou nesta terça-feira a Bósnia por ter proibido judeus e ciganos de se candidatarem nas eleicões no país.

“A proibição que pesa sobre estas duas minorias não se baseia numa justificativa objetiva e razoável”, afirmou a máxima autoridade judical europeia em termos de direitos humanas.

Em função disso, essa medida é contrária à Convenção Europeia de Direitos Humanos, que proíbe a discriminação.

Dois bósnios, um judeu e um cigano, levaram o caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos depois que a Bósnia os impediu de se candidatar por pertencerem a minorias.

Um dispositivo da Constituição da Bósnia distingue duas categorias de cidadãos: por um lado os três “povos constitutivos” do país – bósnio-muçulmanos, croatas e sérvios – e, por outro, o resto, ou seja, judeus, ciganos e outras minorias.

Para ser candidato à chefia do Estado e à Câmara Alta do Parlamento é preciso pertencer aos “povos constitutivos”.

Published in: on janeiro 7, 2010 at 9:40 pm  Deixe um comentário  

Aprecisp

Só pra hoje não passar em branco:

http://www.aprecisp.org/

Site da APRECI-SP – Associação da Preservação da Cultura Cigana do Estado de São Paulo.

Pra quem gosta, vale a pena dar uma olhada. Tem muita coisa interessante.

Published in: on janeiro 5, 2010 at 10:14 pm  Comments (1)